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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

ATUALIZANDO...

"O que é necessário para mudar uma pessoa é mudar sua consciência
de si mesma."
(Abraham H. Maslow)








Olá.

Estou um pouco afastado do blog, como você já deve ter percebido, mas os motivos agora são outros. Além de estar envolvido em dois novos projetos, há especialmente uma questão que me fez parar um pouco com meus textos aqui: estou farto de ser deprimido.

É isso, cansei. Quero "mudar de personagem".

Acredito (apesar de sempre afirmar que esse verbo deixou de fazer parte de meu vocabulário) que nunca poderei deixar de ser eu mesmo e que a depressão deixará, assim como alguns tipos de ferimentos, cicatrizes que talvez jamais desapareçam, mas posso tentar, todo dia pela manhã, escolher como ele será. E uma maneira de meus dias serem menos depressivos é tentar não pensar nisso, focar em outra coisa.

Voltando ao dilema de Tostines, não sei se isso é a depressão diminuindo e eu recompondo minhas forças ou se encontrei forças para enfrentar a depressão. De qualquer modo, decidi ir em frente, talvez hipnotizado pelo clima de início de ano.

Antes de cair em depressão, ir à academia era para mim algo como escovar os dentes ou tomar banho, ou seja, algo corriqueiro, inserido em meu dia-a-dia e que deveria fazer todos os dias quase que automaticamente. Em certa época, costumo dizer que "ficava sem ar, mas não sem academia". Frequentei academias por mais de 25 anos quase que diariamente, mas parei no início de 2007 com uma série de desculpas: minhas costas doíam, estava sem grana, não podia ficar "vagabundando" na academia enquanto não arrumasse emprego... ...

Nada disso mudou, mas agora resolvi, de uma vez por todas, voltar a treinar. Meu pensamento atual é: já que a merda da minha vida não muda mesmo, que ela seja menos fedorenta.

Mas uma vez ligado a um assunto, parece que ele te persegue. A atenção seletiva fez seu trabalho e notei que num intervalo de semana e meia a depressão foi alvo de duas matérias jornalísticas. Uma foi hoje, na Folha de São Paulo, dizendo que geneticistas parecem ter encontrado um gene que poderia predispor pessoas à depressão. Outra, também na Folha, divulga um novo antidepressivo que alteraria menos a libido.
 
Pelo jeito, ainda vamos ler muito sobre depressão. Acho que isso é bom, mas gostaria de conseguir prestar menos atenção a isso.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

DEPRESSÃO É COMO CHIFRE...

"The real voyage of discovery consists not in seeking new landscapes but in having new eyes."



-- Marcel Proust




Indo na esteira da atual “fama” do distúrbio depressivo, já chamado de “a doença do século” e tida por especialistas como o mal que mais atingirá as pessoas nestes tempos, muitos estudos estão em andamento.

Dos últimos que tive notícia, um diz que sentir-se pra baixo causa dor, outro diz que a TV ligada à noite pode causar depressão...

Não li os estudos originais completos, mas os artigos sobre eles me deram a sensação de que os estudiosos ainda se debatem sobre, utilizando um exemplo clássico, quem nasce primeiro, o ovo ou a galinha.

Dizer que isso ou aquilo, isoladamente, pode causar depressão é um reducionismo pra lá de exagerado. O que é real, de fato, é que a depressão, parafraseando a brincadeira, é coisa da sua cabeça.

OK, é verdade que o mundo é uma merda, as pessoas que nos cercam em geral são idiotas e, de fato, não há luz no fim do túnel - no final, não importa o que faças, vais virar almoço de vermes no cemitério.

Mas isso, voltando à frase, é coisa da sua (e da minha também) cabeça. O mundo e a vida NUNCA foram lindos, idéia que tanto se esforçam a nos vender. Há momentos bons (poucos, admito) e momentos ruins (muitos, sem dúvida). Só isso.

Lembre-se de que fomos expulsos do Paraíso, ou seja, estar aqui é um castigo mesmo...

O que precisamos é, como diz a frase atribuída a Proust, olhar com outros olhos. Mas não, por favor, não vá arrancar os seus.

Talvez sim, sintamos mais dor que as pessoas “normais” pois deprimidos estão 1.000% voltados a si mesmos. A conseqüência natural é perceber de maneira amplificada tudo o que nos acomete, principalmente as coisas negativas, desagradáveis, como emoções, lembranças, críticas, e-mails com ppts com lições de vida e... dores.

Se alguém aqui se lembrar de um momento em que esteve alegre, eufórico (ou num episódio maníaco) lembrará, possivelmente, que estava “distraído de si” e mesmo que estivesse com um machucado, mal o percebia, não é mesmo?

Pronto, matei com um parágrafo o estudo dos pesquisadores, que com certeza receberam uma grana legal para descobrir o óbvio.

Será que é nisso que eles estão trabalhando: uma fórmula para nos fazer “ver de outro jeito”?

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

MUNDO CINZA

Cientistas alemães "descobriram" que pessoas acometidas pela depressão enxergam o mundo menos colorido que as pessoas "normais"...

Alguém lembra daquela música "Things that make me go hmmmm..." ?

Eu entendo a metáfora em se dizer que o mundo fica menos colorido quando se está deprimido, mas daí a dizer que a retina começa a sofrer alterações e a pessoa pára de enxergar cores tem uma distância enorme. Até acredito que o cérebro do deprimido tenha problemas de decodificação do mundo externo e, por isso, "...as cores já não têm a cor que tinham, que a música não soa como soava antes e que a sensação é realmente de que o mundo está mais apagado...", mas isso é uma tentativa de traduzir em palavras uma sensação, não algo físico.

Bem, a pesquisa foi feita na Alemanha, país quase o ano todo cinzento, como relata uma colega que se mudou pra lá.

Queria ver o resultado dessa pesquisa aqui nos trópicos, com sol escaldante de outubro a abril.

Eu passei por fases bem terríveis e não me lembro do mundo ter perdido as cores, a não ser metaforicamente.

Você, que teve ou tem depressão, enxerga mesmo em tons de cinza?

Pra quem quiser ler, aí está: http://veja.abril.com.br/blog/diz-estudo/

quarta-feira, 30 de junho de 2010

BUSQUE AJUDA

"É como se um vazio se esparramasse em toda à sua volta, e às vezes houvesse dentro deles uma espécie de buraco que não conseguem preencher com nada".



“...angústia, ansiedade, desânimo, falta de energia e, sobretudo, uma tristeza profunda, às vezes tédio e apatia sem fim. Faz as coisas com dificuldade, como se estivesse pesado, lento, sem prazer, fazendo o mínimo, só o essencial a cada dia... Quase não conseguem sentir prazer nas coisas que normalmente as interessava, e por isto têm pouquíssimos interesses. São pessimistas. Muitas vezes têm dificuldades com o sono, ou com apetite.


Você conhece a ABRATA?

http://www.abrata.org.br/

terça-feira, 22 de junho de 2010

GATILHOS

“Se amo meu semelhante? Sim, mas onde encontrar meu semelhante?” – Mário Quintana.



No blog da Theresa Hilcar, ao qual já me referi em outro post, ela fala sobre os gatilhos que podem disparar uma crise ou aprofundar um estado latente e tem absoluta razão quando escreve que “...o que pode perfeitamente ser trivial, normal, para muitos, é tremendamente dolorido para nós”.

O computador que quebra, fechando sua janela para o mundo.

Um teste de audiometria que te deixa com nervos à flor da pele por não conseguir repetir o que a fonoaudióloga está falando – e descobre-se ainda mais surdo que antes.

O aniversário chegando e nada a comemorar (um ano a menos nesse mundo, talvez...).

A dor na coluna que só piora e te faz sentir muito mais velho do que é.

As contas que chegam e o dinheiro que falta.

Os carros novos dos vizinhos e a sua vaga vazia. “Culpa” por não ser como eles...

Uma proposta de publicação recusada. Nada que faça parece ter valor para quem quer que seja...

A total inutilidade da busca por emprego, que só reforça o sentimento de inaptidão e incompetência...

Mas o pior mesmo da depressão não são os gatilhos nem sintomas. São a burrice, ignorância e estupidez das pessoas que nos cercam.

São elas as responsáveis pelos gatilhos mais devastadores, pelos sintomas mais profundos e doloridos. Talvez por isso deprimidos sejam um tanto misantrópicos.

Que bom seria viver rodeado apenas de animais. Eles nunca o decepcionam, jamais acusam nem questionam. O amam do jeito que é. Eu queria ser a pessoa que meu cão faz parecer que eu sou.

terça-feira, 23 de março de 2010

A VIDA NÃO IMITA A ARTE...

Hold me now
I'm six feet from the edge and I'm thinking
Maybe six feet
Ain't so far down
I'm so far down
Creed


...Nem a arte imita a vida. Filmes em geral mostram o clichê da redenção, por exemplo, quando o cidadão comum que entra num inferno, passa as maiores agruras e no final tudo acaba bem.

Bonito isso... Mas não é verdade, é só um filme. Na vida real parece não haver redenção no final, aquele desfecho em que o personagem termina abraçando alguém, beijando ou sorrindo feliz com aquela expressão de “enfim, acabou” e, óbvio, tudo fica numa boa.

Na vida real, imagino que na maior parte das vezes, não há final feliz. Há apenas o final possível, que quase nunca é o que gostaríamos mas nos conformamos pois “tudo poderia ser pior”. Filmes não dariam boas bilheterias se retratassem a verdade.

Neles, Hollywood gosta de mostrar que a vida tem altos e baixos mas sempre termina no “altos”. Não, não termina. O filme é que termina, pois por algum motivo que desconheço estipularam que 80 minutos é o ideal para se contar uma estória. Eventualmente um pouco mais, como em Avatar.

Muitas vezes a vida real não tem altos e baixos, mas apenas baixos e baixos. Somos levados a acreditar que não ganhamos sempre, mas é duro quando percebemos que perdemos sempre.
Havia um cara assim. Ele desistira de lutar pois sabia que não havia um grand finale para ele.

Seguia em frente sem saber direito se era covarde demais para dar fim àquela existência medíocre ou se, soterrado no mais profundo de seu ser, havia uma fagulha de esperança que algo mudasse.

Já havia tentado de tudo, entrado em contato com todos e mais alguns, tido diversas ideias, mas sua vida simplesmente patinava.

Anos e anos sem progresso, apenas existindo. Sua angústia existencial era grande. Como gostaria de ser como os animais, que não se preocupam com o futuro, nem com sua passagem por esta vida nem se para ela há ou não um sentido. Apenas vivem. Isso deveria bastar, mas não.


Faltava-lhe o fôlego às vezes, tamanha a aflição. Para tentar não enlouquecer, às vezes caminhava.

Foi quando, tarde da noite andando pela rua, um homem o abordou com uma arma. Disse que ia matá-lo se não entregasse a carteira e o relógio.

Então, depois de muito tempo, ele sorriu.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

DEPRESSÃO E O ZEN


Talvez eu e você nunca saiamos totalmente da areia movediça que é o TDM, talvez eu seja deprimido crônico mesmo, ou a depressão deixe sequelas.

A depressão me parece ser como as nuvens: elas se dissipam, mas não desaparecem totalmente. O céu chega a ficar completamente azul, mas elas estão por ali, em algum lugar, se formando, à espreita...

Ditados Zen budistas, os verdadeiros, são ótimos para explicar de modo profundo e sem teoriazações intelectuais coisas extremamente complexas – isso só é possível indo ao âmago das coisas, como o Zen faz tão bem - e eles extrapolam o universo filosófico oriental. Ou então minha imaginação é que é fértil...

Um desses ditados (ou koans) diz:

“Quando você se inicia no Zen, árvores são árvores, montanhas são montanhas.
Quando você estuda o Zen, árvores deixam de ser árvores, montanhas deixam de ser montanhas.
Mas quando você finalmente compreende, árvores são árvores, montanhas são montanhas”.
Talvez eu esteja forçando a barra, mas isso faz muito sentido para mim agora que estou com quase todo o corpo fora do banco de areia movediça da Depressão.

Digo isso de uma forma possivelmente simplista, mas me baseio em tudo pelo que passei e na tonelada de artigos que li.

De modos opostos, Zen e Depressão mudam nossa maneira de ver e sentir o mundo ao redor: o Zen, em geral, leva a uma harmonização com o mundo exterior através do equilíbrio interior. Já a depressão...

Não sou um fanático new age querendo influencia-lo, longe disso, mas tendo recebido alguns comentários e contatos por causa de meus posts, gostaria de dizer uma única coisa a todos que passam pelo que passei: ISSO PASSA.

Sei que, se você está na pior fase, não vai querer acreditar, vai retrucar, contra-argumentar, reclamar, resmungar... Mas quem aqui escreve também já teve crises abismais de angústia existencial e descrença absoluta numa solução que não o fim dessa vida - psicológica e emocional - miserável.

Como saí dessa? Posso dizer que foram as inestimáveis sessões de terapia (saudades da Dra. Carmem...) aliadas à medicação. Parei com ambas há algum tempo, quando decidi que eu teria de ser forte, teria de “andar com minhas próprias pernas”. Em verdade, eu tinha até certo medo de me viciar tanto na terapia quanto na medicação e não mais conseguir ir em frente sem elas.

Eu decidi? A terapia me levou a decidir? O medicamente fez meu cérebro decidir?...

Se eu saí de “onde” estava, você sai também. O importante – difícil, extremamente difícil durante os piores períodos – é saber, não acreditar, mas saber mesmo, que passa. Nada mais verdadeiro que “na vida tudo passa, até a uva passa”.

Me redimindo da piada acima, uma última estorinha Zen:

Um praticante de meditação estava triste, infeliz, pois há tempos vinha se dedicando a meditação sem nunca conseguir praticar uma boa meditação, sentia-se sempre desconfortável, agitado interiormente.

Desanimado com sua meditação, resolveu ir a um templo procurar a ajuda de um mestre Zen.

Chegando lá, encontrou o mestre varrendo a entrada do templo, com movimentos precisos, leves e harmoniosos.

-“Minha prática de meditação não está boa; muitas vezes me distraio, meu corpo me incomoda, minha mente se agita...” explicou o praticante.

“Tudo bem, isso vai passar ” - disse o mestre, sem olhar para ele e sem parar de varrer a entrada do templo, com movimentos precisos, leves e harmoniosos

Sem saber o que fazer, o praticante foi embora.

Algum tempo depois o praticante voltou ao templo e foi procurar o mestre.

Encontrou o mestre cuidando das flores do jardim, com movimentos precisos , leves e harmoniosos.

“Minha prática de meditação está maravilhosa; eu me sinto consciente, meu corpo não me incomoda, minha mente está serena “ - disse com alegria e felicidade o praticante.

“Tudo bem, isso também vai passar” - disse o mestre, sem olhar para ele e sem parar de cuidar das flores do jardim, com movimentos precisos, leves e harmoniosos.

Entendeu?