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sexta-feira, 26 de setembro de 2014

UM CÃO CHAMADO DEPRESSÃO

Olá pessoal. Há quanto tempo, hein?!

Apesar do tempo, o assunto-chave desse blog nunca desaparece totalmente de minha vista. Como já escrevi num post "antigo" acredito que os sintomas dessa síndrome possam ser controlados mas, uma vez picado pela depressão, o veneno parece que nunca mais sairá por completo.

Dia desses tropecei no vídeo abaixo e achei muito bom. Espero que curtam:


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

CONFORTABLY NUMB

Ontem à noite, dando uma zapeada pouco antes de ir dormir vi que estava passando um show do Pink Floyd no Multishow.

Engraçado: eu gosto muito mais desses caras agora que estou mais velho do que quando era garoto. Talvez seja porque algumas de suas canções passaram a fazer sentido para mim.

Ouvindo "Time" não pude deixar de notar extrema semelhança entre a letra da música e coisas que passam por minha cabeça de vez em quando:

"...E então um dia você descobre que dez anos ficaram para trás
Ninguém lhe disse quando correr, você perdeu o tiro de partida.

E você corre, corre atrás do Sol, mas ele está se pondo,
Fazendo a volta para nascer outra vez atrás de você.
O Sol é relativamente o mesmo, mas você está velho,
Com menos fôlego e um dia mais próximo da morte.

Cada ano vai ficando mais curto, parece não haver tempo para nada.
Planos que dão em nada, ou meia página de linhas rabiscadas.
Esperar em quieto desespero é o jeito inglês.
O tempo se foi, a música terminou, pensei que eu tivesse algo mais a dizer..."

De fato, na prática, minha vida não mudou nada desde que entrei em depressão a não ser pelo fato de não mais me sentir tão mal como nos piores momentos da crise. 

Mas minha vida profissional não andou nem um centímetro... Continuo tentando algumas coisas, mas não saio do lugar. 

E, de certo modo, pior ainda: não acho que deva me debater para tentar qualquer outra coisa. Me parece inútil.

Será que ainda estou/sou deprimido ou é apenas a idade, a realidade e a lembrança dos últimos vários anos "perdidos" (in a relative way..)?

Será que essa minha relativamente feliz inércia é, como em "Confortably Numb",

"...essa sensação mais uma vez,
não consigo explicar, você não entenderia.
Não é assim que eu sou,
Me tornei confortavelmente entorpecido...".






sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

ATUALIZANDO...

"O que é necessário para mudar uma pessoa é mudar sua consciência
de si mesma."
(Abraham H. Maslow)








Olá.

Estou um pouco afastado do blog, como você já deve ter percebido, mas os motivos agora são outros. Além de estar envolvido em dois novos projetos, há especialmente uma questão que me fez parar um pouco com meus textos aqui: estou farto de ser deprimido.

É isso, cansei. Quero "mudar de personagem".

Acredito (apesar de sempre afirmar que esse verbo deixou de fazer parte de meu vocabulário) que nunca poderei deixar de ser eu mesmo e que a depressão deixará, assim como alguns tipos de ferimentos, cicatrizes que talvez jamais desapareçam, mas posso tentar, todo dia pela manhã, escolher como ele será. E uma maneira de meus dias serem menos depressivos é tentar não pensar nisso, focar em outra coisa.

Voltando ao dilema de Tostines, não sei se isso é a depressão diminuindo e eu recompondo minhas forças ou se encontrei forças para enfrentar a depressão. De qualquer modo, decidi ir em frente, talvez hipnotizado pelo clima de início de ano.

Antes de cair em depressão, ir à academia era para mim algo como escovar os dentes ou tomar banho, ou seja, algo corriqueiro, inserido em meu dia-a-dia e que deveria fazer todos os dias quase que automaticamente. Em certa época, costumo dizer que "ficava sem ar, mas não sem academia". Frequentei academias por mais de 25 anos quase que diariamente, mas parei no início de 2007 com uma série de desculpas: minhas costas doíam, estava sem grana, não podia ficar "vagabundando" na academia enquanto não arrumasse emprego... ...

Nada disso mudou, mas agora resolvi, de uma vez por todas, voltar a treinar. Meu pensamento atual é: já que a merda da minha vida não muda mesmo, que ela seja menos fedorenta.

Mas uma vez ligado a um assunto, parece que ele te persegue. A atenção seletiva fez seu trabalho e notei que num intervalo de semana e meia a depressão foi alvo de duas matérias jornalísticas. Uma foi hoje, na Folha de São Paulo, dizendo que geneticistas parecem ter encontrado um gene que poderia predispor pessoas à depressão. Outra, também na Folha, divulga um novo antidepressivo que alteraria menos a libido.
 
Pelo jeito, ainda vamos ler muito sobre depressão. Acho que isso é bom, mas gostaria de conseguir prestar menos atenção a isso.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

DEPRESSÃO É COMO CHIFRE...

"The real voyage of discovery consists not in seeking new landscapes but in having new eyes."



-- Marcel Proust




Indo na esteira da atual “fama” do distúrbio depressivo, já chamado de “a doença do século” e tida por especialistas como o mal que mais atingirá as pessoas nestes tempos, muitos estudos estão em andamento.

Dos últimos que tive notícia, um diz que sentir-se pra baixo causa dor, outro diz que a TV ligada à noite pode causar depressão...

Não li os estudos originais completos, mas os artigos sobre eles me deram a sensação de que os estudiosos ainda se debatem sobre, utilizando um exemplo clássico, quem nasce primeiro, o ovo ou a galinha.

Dizer que isso ou aquilo, isoladamente, pode causar depressão é um reducionismo pra lá de exagerado. O que é real, de fato, é que a depressão, parafraseando a brincadeira, é coisa da sua cabeça.

OK, é verdade que o mundo é uma merda, as pessoas que nos cercam em geral são idiotas e, de fato, não há luz no fim do túnel - no final, não importa o que faças, vais virar almoço de vermes no cemitério.

Mas isso, voltando à frase, é coisa da sua (e da minha também) cabeça. O mundo e a vida NUNCA foram lindos, idéia que tanto se esforçam a nos vender. Há momentos bons (poucos, admito) e momentos ruins (muitos, sem dúvida). Só isso.

Lembre-se de que fomos expulsos do Paraíso, ou seja, estar aqui é um castigo mesmo...

O que precisamos é, como diz a frase atribuída a Proust, olhar com outros olhos. Mas não, por favor, não vá arrancar os seus.

Talvez sim, sintamos mais dor que as pessoas “normais” pois deprimidos estão 1.000% voltados a si mesmos. A conseqüência natural é perceber de maneira amplificada tudo o que nos acomete, principalmente as coisas negativas, desagradáveis, como emoções, lembranças, críticas, e-mails com ppts com lições de vida e... dores.

Se alguém aqui se lembrar de um momento em que esteve alegre, eufórico (ou num episódio maníaco) lembrará, possivelmente, que estava “distraído de si” e mesmo que estivesse com um machucado, mal o percebia, não é mesmo?

Pronto, matei com um parágrafo o estudo dos pesquisadores, que com certeza receberam uma grana legal para descobrir o óbvio.

Será que é nisso que eles estão trabalhando: uma fórmula para nos fazer “ver de outro jeito”?

terça-feira, 28 de setembro de 2010

DEPRESSÃO E DEPRIMIDO...

...é o novo blog sobre esse assunto tão conhecido e ao mesmo tempo tão complexo e subestimado.
Como declara seu autor, Edgar Guediguian, inspirado aqui no Crônicas.

Ter inspirado alguém a escrever já é muito mais do que eu jamais imaginei para o Crônicas. Escrever, divulgar e discutir sobre depressão pode ter um efeito bastante benéfico sobre quem participa dessas atividades.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

TER DEPRESSÃO É BOM, RUIM É ESTAR DEPRIMIDO

Brincadeiras à parte, novamente se levanta a questão bastante polêmica do tal "lado bom da depressão": a revista Mente e Cérebro deste mês traz artigos nos quais especialistas afirmam que a depressão "...pode ser uma adaptação mental saudável que nos oferece melhores condições para resolver problemas complexos" em "O Lado Luminoso da Escuridão".

Em outro artigo, "É Mesmo Ruim Sentir-se Tão Triste?", explicam o TDM como um "...mecanismo de autoproteção contra situações desgastantes; o rebaixamento do humor aumenta a capacidade de concentração e nos faz rever atitudes".

Há também uma crítica (positiva, de modo geral) ao livro "A Tristeza Perdida" dos psiquiatras Allan Horwitz e Jerome Wakefield, no artigo "Com quanta tristeza se faz uma depressão?", segundo o qual "...os autores querem demonstrar que a tristeza intensa é uma capacidade natural humana e não uma fraqueza de caráter e que a tristeza é produto de processos mentais relevantes funcionando conforme foram biologicamente projetados para reagir à perda. São problematizadas as vantagens e desvantagens de haver definições demasiado amplas de transtorno depressivo, bem como tratamentos injustificados, medicalização desnecessária e estigmatização".

A depressão é comparada a uma febre: ela não é o problema, mas sim um sintoma e, como a febre, necessária em determinadas situações para o restabelecimento e reequilíbrio do organismo, ou seja, o nosso.

Ainda estou lendo, mas uma coisa me chamou a atenção: nestes e em outros artigos os especialisatas parecem ser unânimes em propor aos deprimidos que não fujam do problema, não procurem distrações ou sigam conselhos até bem intencionados como "manter a cabeça ocupada ajuda a melhorar" ou "vai trabalhar que passa". Isso apenas prolonga o sofrimento ou o transforma numa bomba relógio, que mais cedo ou mais tarde...

Ao contrário, dizem que devemos sentir o problema, vivenciar essas emoções, colocar para fora, escrevam sobre o que se está passando. Instintivamente, é mais ou menos isso que tenho feito aqui.

Experimente você também. É realmente aliviante.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

MUNDO CINZA

Cientistas alemães "descobriram" que pessoas acometidas pela depressão enxergam o mundo menos colorido que as pessoas "normais"...

Alguém lembra daquela música "Things that make me go hmmmm..." ?

Eu entendo a metáfora em se dizer que o mundo fica menos colorido quando se está deprimido, mas daí a dizer que a retina começa a sofrer alterações e a pessoa pára de enxergar cores tem uma distância enorme. Até acredito que o cérebro do deprimido tenha problemas de decodificação do mundo externo e, por isso, "...as cores já não têm a cor que tinham, que a música não soa como soava antes e que a sensação é realmente de que o mundo está mais apagado...", mas isso é uma tentativa de traduzir em palavras uma sensação, não algo físico.

Bem, a pesquisa foi feita na Alemanha, país quase o ano todo cinzento, como relata uma colega que se mudou pra lá.

Queria ver o resultado dessa pesquisa aqui nos trópicos, com sol escaldante de outubro a abril.

Eu passei por fases bem terríveis e não me lembro do mundo ter perdido as cores, a não ser metaforicamente.

Você, que teve ou tem depressão, enxerga mesmo em tons de cinza?

Pra quem quiser ler, aí está: http://veja.abril.com.br/blog/diz-estudo/

terça-feira, 3 de agosto de 2010

FELICIDADE OBRIGATÓRIA

Em artigo no Estadão de hoje, Arnaldo Jabor toca num tema velho conhecido nosso: o da atual “obrigação” de ser feliz.

Dois parágrafos dele:

Hoje, a felicidade é uma obrigação de mercado. Ser deprimido não é mais "comercial". A infelicidade de hoje é dissimulada pela alegria obrigatória. É impossível ser feliz como nos anúncios de margarina, é impossível ser sexy como nos comerciais de cerveja. Esta "felicidade" infantil da mídia se dá num mundo cheio de tragédias sem solução, como uma "disneylândia" cercada de homens-bomba.

A felicidade hoje é "não" ver. Felicidade é uma lista de negações. Não ter câncer, não ler jornal, não sofrer pelas desgraças, não olhar os meninos malabaristas no sinal, não ter coração. O mundo está tão sujo e terrível que a proposta que se esconde sob a ideia de felicidade é ser um clone de si mesmo, um androide sem sentimentos”.

Acho que o Jabor andou lendo Maria Rita Kehl...

Artigo completo no Estadão:
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100803/not_imp589550,0.php

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

CULPA

Limb by limb, tooth by tooth
Tearing up inside of me
Every day, every hour
I wish that I was bullet proof

Bullet Proof - Radiohead


Todo mundo que já leu algum artigo sério sobre depressão sabe que a “culpa”, esse sentimento dilacerante, é uma constante nos acometidos pelo transtorno.

Muitos já leram também – e eu citei aqui – que a auto-ajuda não auxilia quem realmente precisa, e eu coloco na categoria de auto-ajuda aquelas mensagens e vídeos sobre alguém que sofreu muito, tem grave deficiência ou doença mas deu a volta por cima.

Muita gente parece gostar de receber esses vídeos ou apresentações em Powerpoint. Aparentemente, o efeito esperado é algo como “...oh, veja como esse aí sofreu. Eu até que estou bem comparado com ele...” e o indivíduo sai - iludido - achando que a vida dele nem é tão ruim.

Eu detesto, e nem é porque são bregas ou chatos, mas porque em mim resultam numa piora de meu estado. Ou resultariam, se eu não conhecesse esse mecanismo e não lutasse contra ele.

Dia desses recebi um vídeo sobre um cara sem braços e pernas. Não vi mais que dois segundos e por isso não sei o que o cara apronta, mas com a sugestiva frase “Pare de reclamar da vida” já fiquei puto.

Minha leitura – e a de muitos depressivos - é: “...ah, o cara não tem braços nem pernas mas está aí, desfrutando da vida, fazendo isso e aquilo enquanto eu estou aqui super saudável mas semi-morto ... Sou um merda mesmo...”.

Com braços e pernas normais, o efeito em mim é o contrário do esperado e, apesar de conhecer esse processo mental, não é fácil controlar o sentimento de culpa que sobe pela garganta como um vômito. Culpa por não reagir a contento, culpa por não ser o que esperavam de mim, culpa por não ser o que EU esperava de mim... culpa... culpa...

E então a garota do caixa pergunta se não quero colaborar com o planeta e colocar as compras em caixas ao invés de sacolinhas plásticas...

O mundo que se exploda!

quarta-feira, 28 de julho de 2010

O SILÊNCIO E O ESCURO

"Todos os mistérios do homem derivam de não ser capaz de sentar silenciosamente em uma sala isolado." (Blaise Pascal) 




Muito se fala e escreve sobre a importância do silêncio. Coloque “importância silêncio” no Google e terá leitura pro resto da vida. Engraçado, poderia dizer que se faz muito barulho pelo silêncio...

Indo desde a manjada “Deus nos deu duas orelhas e uma boca...” a questões metafísicas, vê-se alguma confusão do silêncio com apenas fechar a boca, ficar mudo. Há um koan sobre isso:

“Quatro monges decidiram meditar em silêncio completo, sem falar por duas semanas. Na noite do primeiro dia a vela começou a falhar e então apagou.

O primeiro monge disse:

- Oh, não! A vela apagou!

O segundo comentou:

- Não tínhamos que ficar em silêncio completo?

O terceiro reclamou:

- Por que vocês dois quebraram o silêncio?

Finalmente o quarto afirmou, todo orgulhoso:

- Aha! Eu sou o único que não falou! “

Mas o Silêncio é muito mais que isso. O Silêncio de que escrevo é o da mente.

Se a gente está lendo, vendo TV ou navegando na internet nossa mente não está em silêncio.

E porque parece ser tão difícil – para todo mundo desde sempre e atualmente muito mais - ficar em silêncio?

O silêncio parece ser, para as pessoas em geral, como o escuro para crianças. Um monstro pode estar debaixo da cama, um bicho-papão no armário, as sombras parecem se mover, ameaçadoras, em nossa direção. Não há como antecipar o que pode estar vindo nos pegar...

Assustador para grande parte das pessoas, pois é nesse momento que vemos a nossa realidade, é no silêncio – e não no mutismo – que ficamos verdadeiramente a sós e encaramos... Nós mesmos.

Como uma criança, queria ficar no escuro e perguntar ao bicho-papão porque quer me pegar. Encarar o monstro no guarda-roupas e saber o que quer comigo. Dizer às sombras que podem vir e não lhes farei mal.

Talvez, com essa conversa no silêncio – ou no escuro, como queira - ficássemos todos amigos.

E em paz.


terça-feira, 20 de julho de 2010

Deprimido é uma merda.


“O depressivo sofre de uma liberdade conquistada, porque não sabe desfrutá-la”. 
Elisabeth Roudinesco - “Por que a psicanálise?”.


Não importa o quão boa seja a notícia, o quão elevado seja um comentário ou opinião, a gente sempre vê o lado negativo das coisas. Que saco isso!...

Estive “me observando” e notei que faço isso constantemente. Se me elogiam, logo penso em retrucar apontando minhas falhas. Se recebo uma boa notícia, de imediato comento sobre o lado ruim da coisa. Se algo bom acontece, fico prevendo possíveis conseqüências nefastas e desdobramentos negativamente inesperados.

Quanto disso é pura chatice e quanto é seqüela da depressão? Eu não era assim “antes”...

Então comecei a me policiar, me esforçando em ao menos manter a boca fechada. Penso em todas essas “negatividades” mas evito dizê-las e estragar o dia dos outros (isso não vale aqui no blog, pois essa é a razão dele existir).

Quanto disso é fuga? Quanto disso não é medo de encarar uma realidade da qual “penso” não gostar? Porque não fico, muito mais simples seria, feliz com um elogio ou uma boa notícia e, ao contrário, me recolho entre as nuvens negras de pensamentos depressivos?

Certa vez, em “O Poder do Mito”, de Joseph Campbell, li a estória que ele conta sobre um nativo africano que vivera toda sua vida na mata fechada e que, acompanhando uma expedição, ao chegar na planície aberta apavorou-se. Não tinha noção de distância, de perspectiva e vendo os animais – que na verdade estavam bem longe – amedrontado correu de volta para a floresta.

“O depressivo é aquele que percebe o campo aberto à frente dele e percebe também o medo que ele tem de ocupar esse campo. Porque dá medo mesmo”, diz Maria Rita Kehl, de “O Tempo e o Cão” em entrevista a Lisandro Nogueira e Luciene Ferraz, revista Época.

Será que, tão acostumado a ver tudo pelos filtros cinza de depressão, simplesmente não sei ser feliz?

Será possível que, como o nativo acostumado à mata fechada, estou eu acostumado às nuvens negras da depressão e apavoro-me ao imaginar sair dessa "zona de conforto"?

terça-feira, 8 de junho de 2010

O Depressivo na Contramão

É preciso ter um caos dentro de si para dar à luz a uma estrela brilhante

Nietzsche.
 
 
"O Depressivo na Contramão" (leia ali no menu "Artigos", à direita) é mais um brilhante artigo sobre depressão, analisando o livro o Tempo e o Cão, que novamente recomendo.
 
Acredito que todo deprimido já se sentiu na contramão de seu tempo, de sua sociedade, e injustiçado por se sentir assim.

domingo, 30 de maio de 2010

AUTO ENGANO

A relação mais íntima, traiçoeira e definidora de um ser humano é a que ele trava consigo mesmo.


Essa frase está no livro Auto Engano, de Eduardo Gianetti.

Há algum tempo quero ler esse livro, mas em minhas divagações acabo esquecendo de comprar. Hoje, procurando por uma resenha dele, acabei encontrando o PDF do livro na íntegra, que compartilho com vocês aqui no Crônicas.

Veja o menu de "Artigos" alí à direita.

Comecei a ler e ainda não posso dar minha opinião mas, sendo a depressão uma viagem às profundezas de nosso interior, acredito que vale o investimento de tempo.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

O LADO BOM DA DEPRESSÃO


Antes de se revoltar com o título (li várias críticas coléricas em outros sites), leia com atenção. A Revista Galileu publicou artigo bastante interessante sobre o assunto.

Acredito que a depressão seja um processo e, como tal, obviamente há começo, meio e fim. Não tenho muita certeza sobre se há mesmo um fim ou apenas um recesso, uma diminuição dos sintomas - ou, talvez, quem tenha passado por tal processo nunca mais volta a ser a mesma pessoa de antes, por isso a não percepção de fim no sentido de "voltar ao normal".

De qualquer modo, creio que é possível sim enxergar o lado bom desse transtorno, basta que se chegue neste estágio.

Se você não vê é porque ainda não chegou lá.

Na coluna à direita coloquei um link para um "doc no qual copiei parte de artigos nesse sentido.

terça-feira, 11 de maio de 2010

DEPRESSÃO COMO UM DESPERTAR DA IGNORÂNCIA SOBRE A VIDA

A frase acima, de certo modo, resume meus últimos 5 anos. Era essa "A" frase que tanto procurei.

Achei em um web site, cujo endereço repasso abaixo, repleto de curtos e interessantes artigos sobre nosso assunto em particular.

Não vejo com muito bons olhos a frase "Cura para a Depressão através..." disso ou daquilo, mas como não há nenhum "clique aqui e compre..." ou "filie-se à nossa Igreja" abaixo dos textos, vale a pena uma lida.

São textos breves, não sei da profundidade de seu valor médico-científico mas, muitas vezes, o óbvio é a coisa mais difícil de enxergar e é disso que eles tratam.


Gostei especialmente de ter lido algo sobre o que intuía - o despertar (nem diria tanto da ignorância, mas da ingenuidade) e da descoberta de potenciais desconhecidos (ambos no menu à direita - Despertar para a Vida).

O endereço é:
http://tratamentodadepressao.org/

sábado, 8 de maio de 2010

... SOU MAX



- Eu não sou rei, nem viking, nem nada.
- Mas o que você é então?
- ... ... ... Sou Max.
- Bem, não é grande coisa, não é mesmo?

O garoto Max conversa com seu monstruoso alter ego Carol em Onde Vivem os Monstros.

Passar por um momento de auto descoberta não é coisa somente para infância e adolescência. Pode ser muito revelador – e muito doloroso também – já na idade adulta.

Não sei ao certo se o processo depressivo pelo que passei tem a ver com isso, ou se passei por isso durante o episódio depressivo. Sei lá. Não lembro se estava na descida ou na subida, mas me recordo claramente de estar diante de mim mesmo por diversas vezes num diálogo muito semelhante ao de Max e Carol.

Vi, a certa altura, que eu não era quem imaginava ser ou quem havia planejado ser. Não era “...nem rei, nem viking, nem nada”. Eu era apenas eu mesmo.

Pode parecer ridículo, mas para mim foi um choque de realidade. Foi como se todo o cenário duramente construído ao longo dos anos simplesmente desmoronasse e, de repente, percebesse que na realidade recém percebida as personas cultivadas não mais se encaixassem.
Foi como ficar nu diante de mim mesmo pela primeira vez vendo que não me parecia com o que imaginava. Nem de longe.

O filme citado lá em cima vale a pena. Não se engane: apesar de protagonizado por um garoto e cheio de monstros na tela, não é um filme para crianças. Aliás, grande parte dos adultos também não entenderá bulhufas. Deprimidos compreenderão, tenho certeza.

O garoto Max passa por uma fase de mudanças e revoluções internas, psicoemocionais e, meio que por acidente, acaba fazendo uma viagem interior – para uma ilha onde só aconteceria aquilo que desejasse - na qual convive e confronta as facetas de sua personalidade.

Preste atenção em quem o garoto se liga de imediato, a necessidade de construir um “forte” inexpugnável para viver com “seus amigos” monstros, os diversos diálogos com seus alter egos e, no final...

Bem, está em DVD. Aproveite.



quinta-feira, 6 de maio de 2010

IGNORÂNCIA PODE SER UMA BÊNÇÃO


Suicídio não é querer morrer, é querer desaparecer.

Georges Perros





Um princípio básico da meditação, prática voltada a acalmar a mente, ao menos no Zen, é deixar os pensamentos passarem livremente, sem se ater a eles. Consideram que é impossível simplesmente não pensar em nada, esvaziar a mente como outras escolas pregam e tenho observado que eles parecem ter razão.

Não dá pra simplesmente não pensar em nada, mas é possível não concentrar-se em coisa alguma em especial, apenas deixar fluir os pensamentos até o ponto em que a mente realmente se acalma, o fluxo de frases, sons e imagens diminui como se uma tempestade se transformasse num lago calmo e profundo.

Mas e as emoções? Tenho dúvidas de que controlando pensamentos conseguimos controlar as emoções, os sentimentos, principalmente em nosso caso, deprimidos e distímicos.

O fluxo de sentimentos e emoções no deprimido, ao menos em meu caso nos piores (e diversos) dias, é caótico, tempestuoso, negativo, desesperançoso, angustiante, aflitivo, torturante.

O estômago revira, a cabeça gira, a atenção dispersa, o corpo inteiro dói, falta ar.

Nestes dias não há meditação que dê jeito e por diversas vezes gostaria muito de ter um botão “on/off”. Não que quisesse realmente dar cabo à minha vida, mas me desligar temporariamente, tirar uma folga de mim mesmo.

Por duas vezes tentei fazer uma “farmacinha” com tudo o que achei de remédios em casa. Leigo no assunto, separei os que achei que davam sono, principalmente anti histamínicos, antipiréticos e analgésicos com dipirona e tramadol. Peguei dois ou três comprimidos de cada e tomei com uma farta dose de uísque sem gelo num gole só.

Consegui apenas uma dor de cabeça daquelas...

O suicídio é tratado por muitos como "a saída mais fácil", "a fuga dos imbecis" ou "a saída do covarde". Duvido que um destes já tenha passado realmente por uma depressão. Como dizia Francesco Orestano, "o suicídio demonstra que na vida há males maiores que a morte".

Tenho medo de ficar paralítico, cego, surdo, acabar minha vida num banco de praça como morador de rua, mas morrer...

Dia desses me chega a notícia de que um colega de trabalho de minha mulher estava internado, intubado, em coma devido a uma overdose de antidepressivos.

Fico sabendo isso só agora que meu remédio acabou e resolvi tentar seguir adiante sem ele.

Puxa, se eu soubesse antes...

terça-feira, 27 de abril de 2010

EFEITOS COLATERAIS

I'm freaking out
So, where am I now?
Upside down
And I can't stop it now
It can't stop me now
oooh Oooooh Oooohhh

I - I'll get by
I - I'll survive

Alice - Avril Lavigne



Na Folha de São Paulo dia desses pude ler artigo sobre os efeitos colaterais dos medicamentos antidepressivos e como boa parte dos profissionais de saúde dá pouca importância a eles.

Havendo certa quantidade de medicamentos de eficácia semelhante, resta ao paciente escolher qual efeito colateral é mais suportável. Como a decisão por um ou outro medicamento é baseada apenas na anamnese, na conversa com o psiquiatra, pois os níveis de serotonina em seu cérebro não podem ser medidos em laboratório, em muitos casos é necessário ajustes da dose ou troca de remédio.

Digo isso por experiência própria. No início de meu tratamento me senti bem com o primeiro remédio, bem mesmo... Até que minha esposa me alertou: eu parecia um zumbi, ficava vendo TV quase sem piscar. Era verdade, eu parecia estar meio viajandão. Isso sem falar nos problemas na “hora H”.

Aumento de peso, dores de cabeça, tremores e diversos outros são efeitos colaterais amplamente relacionados aos antidepressivos, mas há um pouco explorado: a perda do mojo.

Um efeito colateral não dos antidepressivos mas da depressão é ter uma visão mais aguda dos fatos, das coisas, da vida. É experimentar sentimentos que, apesar de torturantes, antes desconhecia. É ter acesso ao fundo da alma. É vivenciar um conflito constante com a realidade à sua volta.

E, assim, com sorte se tiver uma queda para escrever, trazer à tona palavras cheias de sentimentos.

Os medicamentos antidepressivos acabam com isso, tiram de você aquele “talento” para ver as coisas de modo diferente da maioria, eliminam ou diminuem drasticamente seu conflito com a realidade. Psicológica e emocionalmente, sofre-se menos, passa a aceitar o mundo à sua volta com menos revolta, com menos angústia.

Ao longo do tempo percebi – e admito que pode ser efeito de atenção seletiva, mas vá lá – que sou mais crítico, mais mordaz e criativo quando não estou tomando nada. Sob efeito de comprimidos, as coisas ficam razoavelmente numa boa, perco a vontade de criticar, perco o senso de observação aguda.

Não que me transforme num zumbi, longe disso mas, numa comparação um tanto exagerada, diria que tomar antidepressivos, em alguns casos, é como decidir pela pílula azul e voltar a viver confortavelmente na Matrix.

Será que Neo foi um idiota por escolher encarar a realidade nua e crua?

terça-feira, 23 de março de 2010

A VIDA NÃO IMITA A ARTE...

Hold me now
I'm six feet from the edge and I'm thinking
Maybe six feet
Ain't so far down
I'm so far down
Creed


...Nem a arte imita a vida. Filmes em geral mostram o clichê da redenção, por exemplo, quando o cidadão comum que entra num inferno, passa as maiores agruras e no final tudo acaba bem.

Bonito isso... Mas não é verdade, é só um filme. Na vida real parece não haver redenção no final, aquele desfecho em que o personagem termina abraçando alguém, beijando ou sorrindo feliz com aquela expressão de “enfim, acabou” e, óbvio, tudo fica numa boa.

Na vida real, imagino que na maior parte das vezes, não há final feliz. Há apenas o final possível, que quase nunca é o que gostaríamos mas nos conformamos pois “tudo poderia ser pior”. Filmes não dariam boas bilheterias se retratassem a verdade.

Neles, Hollywood gosta de mostrar que a vida tem altos e baixos mas sempre termina no “altos”. Não, não termina. O filme é que termina, pois por algum motivo que desconheço estipularam que 80 minutos é o ideal para se contar uma estória. Eventualmente um pouco mais, como em Avatar.

Muitas vezes a vida real não tem altos e baixos, mas apenas baixos e baixos. Somos levados a acreditar que não ganhamos sempre, mas é duro quando percebemos que perdemos sempre.
Havia um cara assim. Ele desistira de lutar pois sabia que não havia um grand finale para ele.

Seguia em frente sem saber direito se era covarde demais para dar fim àquela existência medíocre ou se, soterrado no mais profundo de seu ser, havia uma fagulha de esperança que algo mudasse.

Já havia tentado de tudo, entrado em contato com todos e mais alguns, tido diversas ideias, mas sua vida simplesmente patinava.

Anos e anos sem progresso, apenas existindo. Sua angústia existencial era grande. Como gostaria de ser como os animais, que não se preocupam com o futuro, nem com sua passagem por esta vida nem se para ela há ou não um sentido. Apenas vivem. Isso deveria bastar, mas não.


Faltava-lhe o fôlego às vezes, tamanha a aflição. Para tentar não enlouquecer, às vezes caminhava.

Foi quando, tarde da noite andando pela rua, um homem o abordou com uma arma. Disse que ia matá-lo se não entregasse a carteira e o relógio.

Então, depois de muito tempo, ele sorriu.